Recomeço

Por incrível que pareça, demorei meses pra conseguir inaugurar o blog. Layout pronto, uma lista enorme de pautas, diversos rascunhos e dezenas de fotos prontas para publicar e eu não conseguia dar o primeiro passo. Mais do que isso, eu não sabia por onde começar.

Fiquei presa na dualidade do recomeço que permeia toda minha vida no momento: de um lado a liberdade e as infinitas possibilidades do novo, do outro a incerteza e o medo.

Muitos me acham apenas inconsequente mas eu me sinto corajosa por ter arriscado quase tudo. Mesmo assim chorei tanto desde ontem que meus olhos estão ardidos e cheios de areia. Saber que tudo eventualmente acaba não torna menos doloroso aceitar as perda. Preenchemos nossa vida na tentativa de acreditar que estamos protegidos da decepção, da dor e do fim. Cultivamos a ilusão da estabilidade e de repente nada parece fazer mais sentido e somos obrigados a admitir que nossos esforços falharam e que não estamos no controle.

Aos poucos aprendi a começar de novo. A me dar tempo e refletir sobre o passado e seguir em frente. Quando consegui publicar os primeiros textos e estabelecer uma rotina senti sair aquele peso dos meus ombros. Não me entendam errado, as inseguranças permanecem. Será que meu trabalho é bom o suficiente? Será que eu sou boa o suficiente? Talvez eu nunca consiga essas respostas ou supere essas perguntas.

Depois de me obrigar a começar percebi que nada pode ser pior do que o que tememos. Mesmo o que é pior. Foi só seguindo em frente que percebi que eu consigo continuar.

Sem banalizar a depressão e a ansiedade porque ninguém supera essas coisas pela força de vontade e pensamento, é ridículo até sugerir um absurdo desses. Eu tive muito tempo e muita ajuda pra lidar com tudo isso e provavelmente sem essas coisas tudo seria muito pior agora. Realmente não tenho como saber, mas penso que seria.

Me sinto aliviada por ver o céu se abrindo e queria gritar: é possível, a dor diminui, a disposição vai voltando, cada dia é um pouco melhor. Ainda tenho alguns dias ruins costurados no meio e sei que sempre vou ter. O clichê é real: a vida é assim mesmo. Mas agora são mais dias felizes do que dias tristes. Pensando bem não sei qual a proporção entre os dias, o que sei mesmo é que agora eu consigo aguentar os dias piores sem querer desistir de tudo e sem ficar incapaz de fazer qualquer coisa além de chorar.

As coisas podem melhorar e talvez um dia você olhe para os piores momentos da sua vida e fique feliz que você conseguiu passar por eles e chegar aqui.

 

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