Seis dias para um arco-íris

Tenho interesse por arte em geral mas meu conhecimento técnico e acadêmico é praticamente nulo. Estou começando agora a aprender um pouquinho e sou absolutamente incapaz de produzir textos profundos e bem fundamentados sobre o tema. Vamos ter espaço para isso em colaborações maravilhosas, mas no meio tempo eu vou tentar falar sobre temas ou trabalhos que me marcam.

Seis dias para um arco-íris é um projeto de Alessandra Duarte que constrói uma representação visual da violência homofóbica e transfóbica no Brasil:

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A cada dia a artista Alessandra Duarte pinta uma tela. Se não houver nenhum assassinato de natureza homofóbica ou transfóbica relatado no dia, a tela carrega uma das cores do arco-íris, seguindo a sequencia das cores da bandeira do movimento LGBTQ. Um arco-íris forma-se através de seis dias consecutivos de cor, começando com uma pintura vermelha e terminando em uma tela violeta, simbolizando seis dias sem homicídios. Porém, a formação de um arco-íris é impossibilitada sempre que há um assassinato. Neste caso, faz-se um retrato ou representação em preto e branco da pessoa, ou pessoas, que foram mortas naquele dia. Retorna-se à tentativa de formar um arco-íris no próximo dia sem homicídio, começando novamente pelo vermelho.” (Texto transcrito do site do projeto)

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Vivemos um momento de tensão e instabilidade política e econômica que fomenta o crescimento de movimentos conservadores e de extremas direita. Simone de Beauvoir disse: “Nunca se esqueça de que basta uma crise política, econômica ou religiosa para que os direitos das mulheres sejam questionados. Esses direitos não são permanentes. Você terá de manter-se vigilante durante toda a sua vida.” Essa verdade pode ser ampliada para incluir todos os outros grupos historicamente vulneráveis, vide a atuação da bancada evangélica no legislativo nos últimos anos.

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A força da obra está em nos confrontar com a frequência alarmante dos assassinatos que podem passar despercebidos por não receberem uma cobertura midiática adequada e por nossa crescente dessensibilização. O contraste das cores da bandeira com os retratos em preto e branco me remetem a uma discussão muito presente nos movimentos sociais: até que ponto os avanços conquistados são efetivos em proteger essas pessoas das violências reais?

Veja o trabalho completo no link do projeto e outros trabalhos no site da artista.

 

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